ERP não atende todo o processo? Quando integrar, personalizar ou desenvolver um sistema
Sua empresa possui um ERP.
Mesmo assim, parte da operação acontece em planilhas.
Algumas aprovações são feitas por e-mail.
Determinadas informações precisam ser digitadas em mais de um sistema.
Existem controles paralelos que somente algumas pessoas conhecem.
E, quando surge uma necessidade diferente, a resposta costuma ser:
“O sistema não faz isso.”
Esse cenário é mais comum do que parece.
E não significa necessariamente que o ERP seja ruim ou que precise ser substituído.
Muitas vezes, o problema é outro:
o processo da empresa evoluiu, mas os sistemas não acompanharam essa evolução.
A questão, então, deixa de ser simplesmente “precisamos trocar o ERP?” e passa a ser:
qual é a melhor maneira de preencher a distância entre o que o sistema oferece e o que a operação realmente precisa?
Dependendo do caso, a resposta pode estar em integração, automação, personalização ou desenvolvimento de software sob medida.
Por que o processo acaba acontecendo fora do ERP?
Um ERP normalmente é responsável por processos importantes da empresa.
Financeiro.
Fiscal.
Estoque.
Compras.
Vendas.
Faturamento.
Contabilidade.
Cadastros.
Mas cada organização possui particularidades.
Um processo que era simples pode ganhar novas etapas.
A empresa começa a atender outro tipo de cliente.
Surge uma nova aprovação.
Uma área passa a precisar de informações que antes não eram necessárias.
Novos sistemas são contratados.
O volume aumenta.
Uma operação específica passa a exigir controles próprios.
O ERP continua funcionando.
O processo é que mudou.
Quando o sistema não acompanha essa mudança, as pessoas naturalmente procuram maneiras de continuar trabalhando.
E normalmente recorrem às ferramentas disponíveis.
Os controles paralelos começam pequenos
Imagine que uma informação necessária para determinada operação não exista no ERP.
A equipe cria uma coluna em uma planilha.
Depois surge uma segunda informação.
Outra coluna.
Um novo processo exige uma aprovação.
Ela começa a acontecer por e-mail.
Outra área precisa receber os dados.
Alguém passa a encaminhar uma mensagem.
O gestor precisa acompanhar o andamento.
Uma segunda planilha é criada.
Pouco a pouco, o fluxo pode se transformar em:
ERP → Excel → E-mail → WhatsApp → Outro sistema → Excel novamente
Cada ferramenta resolve uma pequena necessidade.
O problema aparece quando elas passam a formar o processo real da empresa.
7 sinais de que existe uma lacuna entre o ERP e a operação
Nem todo uso de planilhas ou ferramentas externas representa um problema.
Mas alguns sinais merecem atenção.
1. A mesma informação é digitada mais de uma vez
Um dado é cadastrado no ERP e depois novamente em uma planilha ou outro sistema.
Além do tempo gasto, existe risco de informações diferentes sobre a mesma operação.
2. Existem planilhas indispensáveis para o processo
A planilha não é apenas utilizada para uma análise eventual.
Sem ela, a equipe não consegue executar ou acompanhar determinada atividade.
Nesse caso, parte importante do processo está fora do sistema principal.
3. Aprovações acontecem por e-mail ou mensagens
A solicitação está em um sistema.
A aprovação acontece por e-mail.
A confirmação chega por mensagem.
Depois alguém precisa atualizar o sistema manualmente.
O fluxo existe, mas está fragmentado.
4. O status do processo depende de perguntar para alguém
Quando a pergunta “como está esse processo?” exige consultar uma pessoa específica, existe conhecimento operacional que talvez não esteja adequadamente representado nos sistemas.
5. A equipe criou controles para compensar limitações do sistema
Campos adicionais.
Planilhas auxiliares.
Checklists.
Pastas.
Relatórios manuais.
Esses recursos podem indicar necessidades que não foram atendidas pela solução existente.
6. Informações importantes estão distribuídas entre vários sistemas
O financeiro está no ERP.
A operação está em outro software.
Documentos estão em pastas.
O acompanhamento está em uma planilha.
Atualizações chegam por e-mail.
O problema não é necessariamente possuir vários sistemas.
O problema é quando eles não conversam.
7. Uma mudança simples no processo exige muito trabalho manual
Se uma nova regra de negócio gera várias atividades adicionais para a equipe porque o sistema não consegue representá-la, pode existir uma oportunidade de evolução tecnológica.
Trocar o ERP nem sempre é a melhor solução
Quando surgem muitos controles paralelos, uma reação natural é pensar em substituir o sistema atual.
Em alguns casos, isso realmente pode ser necessário.
Mas trocar um ERP costuma ser uma decisão de grande impacto.
Existem dados para migrar.
Integrações para reconstruir.
Pessoas para treinar.
Processos para revisar.
Riscos de implantação.
Custos.
Tempo.
E o sistema atual pode continuar atendendo muito bem áreas importantes da empresa.
Por isso, antes de decidir pela substituição, vale separar duas perguntas:
O ERP deixou de atender sua função principal?
ou
Existe uma parte específica da operação que o ERP não atende?
As respostas levam a estratégias bastante diferentes.
Opção 1: integrar os sistemas existentes
Às vezes, cada sistema já executa bem sua função.
O problema está no caminho entre eles.
Imagine:
Sistema operacional → ERP → Financeiro
Se a equipe precisa transportar informações manualmente entre essas ferramentas, talvez não seja necessário substituir nenhuma delas.
Uma integração pode permitir que os dados circulem automaticamente.
APIs, webhooks, arquivos estruturados e outros mecanismos podem ser utilizados para conectar aplicações.
O objetivo é transformar:
Sistema A → Pessoa → Digitação → Sistema B
em:
Sistema A → Integração → Sistema B
Isso pode reduzir retrabalho e manter as ferramentas que já funcionam.
Opção 2: automatizar uma parte do processo
Em outros casos, o problema não exige um novo sistema completo.
Existe apenas uma sequência de tarefas manuais que poderia ser automatizada.
Por exemplo:
Receber informação
↓
Validar dados
↓
Consultar outro sistema
↓
Aplicar uma regra
↓
Atualizar o ERP
↓
Enviar uma notificação
Se as regras estão bem definidas, parte desse fluxo pode acontecer automaticamente.
A automação funciona especialmente bem quando existem tarefas repetitivas, critérios claros e sistemas que podem ser integrados.
Opção 3: personalizar o sistema existente
Dependendo do ERP e da arquitetura disponível, pode ser possível desenvolver uma personalização.
Um novo campo.
Um relatório.
Uma tela.
Uma regra.
Um workflow.
Uma extensão.
Essa opção pode ser adequada quando a necessidade está muito próxima das funcionalidades já existentes no sistema.
Mas existe um cuidado importante.
Personalizações excessivas podem aumentar a complexidade de manutenção e dificultar futuras atualizações do ERP.
Por isso, é importante avaliar não apenas se uma customização pode ser feita, mas se ela deve ser feita dentro daquele sistema.
Opção 4: desenvolver um sistema complementar
Existe ainda uma alternativa que muitas empresas deixam de considerar:
manter o ERP e desenvolver uma aplicação para a parte específica que ele não atende.
Imagine que o ERP cuide corretamente de:
- financeiro;
- fiscal;
- estoque;
- compras;
- faturamento.
Mas exista um processo operacional específico que depende de:
- etapas próprias;
- documentos;
- aprovações;
- responsáveis;
- prazos;
- integrações;
- regras particulares.
Em vez de tentar transformar o ERP em algo que ele não foi projetado para ser, uma aplicação complementar pode cuidar dessa operação.
Depois, os sistemas são integrados.
O desenho passa a ser:
ERP ↔ Sistema sob medida ↔ Outros sistemas
Cada aplicação permanece responsável pelo que faz melhor.
O que é um sistema complementar ao ERP?
Um sistema complementar não precisa substituir o software central da empresa.
Ele resolve uma necessidade específica e troca informações com os demais sistemas.
Pode ser, por exemplo:
- um portal para clientes ou fornecedores;
- um sistema operacional;
- um workflow de aprovação;
- uma plataforma para documentos;
- uma aplicação para acompanhamento de processos;
- um módulo de orçamento;
- um sistema de atendimento;
- um painel gerencial;
- uma aplicação para uma regra específica do negócio.
O objetivo não é reconstruir funcionalidades que o ERP já possui.
É desenvolver aquilo que está faltando.
Um exemplo aplicado ao comércio exterior
Comércio exterior é um bom exemplo porque normalmente envolve diferentes sistemas e fontes de informação.
Uma empresa pode possuir um ERP responsável por compras, estoque, financeiro e aspectos fiscais.
Mas a operação de importação também pode envolver:
- Commercial Invoice;
- Packing List;
- Bill of Lading;
- AWB;
- licenças;
- tracking;
- ETD;
- ETA;
- agentes;
- fornecedores;
- despesas;
- desembaraço;
- free time;
- entrega.
Nem sempre faz sentido transformar o ERP em uma plataforma completa de gestão de comércio exterior.
Uma alternativa é utilizar ou desenvolver uma solução específica para a operação e integrá-la ao ERP.
Assim:
ERP → continua responsável pelo que já faz bem
Sistema de COMEX → gerencia as necessidades específicas da operação
Integração → mantém as informações conectadas
Esse princípio também vale para diversas outras áreas de uma empresa.
Software sob medida não significa construir tudo do zero
Existe uma percepção de que desenvolvimento sob medida significa substituir todos os sistemas existentes por uma grande aplicação própria.
Não precisa ser assim.
Um projeto pode ser muito menor.
Imagine que 80% do processo já esteja bem atendido.
O problema está nos outros 20%.
O desenvolvimento pode se concentrar exatamente nessa lacuna.
Um portal.
Uma integração.
Um pequeno sistema operacional.
Um módulo.
Uma automação.
Um serviço responsável por conectar aplicações.
O objetivo não deveria ser desenvolver o máximo possível.
Deveria ser resolver o problema com a arquitetura adequada.
Como decidir entre integrar, automatizar, personalizar ou desenvolver?
A decisão depende do problema.
Uma forma prática de começar é mapear onde o processo está acontecendo hoje.
Por exemplo:
| Etapa | Onde acontece hoje | Problema |
|---|---|---|
| Pedido | ERP | Funciona |
| Aprovação | Sem rastreabilidade | |
| Controle operacional | Excel | Atualização manual |
| Documentos | Pasta compartilhada | Informação dispersa |
| Financeiro | ERP | Funciona |
| Indicadores | Excel | Preparação manual |
Essa visão ajuda a perceber que talvez o ERP não seja o problema.
Existem apenas algumas lacunas entre o sistema e o processo.
A partir daí, podemos avaliar cada necessidade.
Integração: quando os sistemas funcionam, mas os dados não circulam.
Automação: quando existem tarefas repetitivas e regras claras.
Personalização: quando a necessidade pertence naturalmente ao sistema existente.
Software sob medida: quando existe um processo específico que não encontra espaço adequado nas soluções atuais.
Comece pelo processo, não pela tecnologia
Antes de decidir desenvolver qualquer coisa, vale mapear o processo real.
Não apenas o processo desenhado no procedimento.
Mas aquilo que as pessoas realmente fazem.
Pergunte:
Onde a informação entra?
Quem utiliza?
Onde é registrada?
Quais sistemas participam?
Onde existe digitação repetida?
Quais controles paralelos são indispensáveis?
Onde acontecem as decisões?
Quais são as exceções?
O que depende de uma pessoa específica?
Frequentemente, esse levantamento revela que o problema não é falta de tecnologia.
É falta de conexão entre processo e tecnologia.
Cuidado para não digitalizar um processo ruim
Existe ainda outro risco.
Desenvolver exatamente aquilo que a empresa faz hoje sem questionar o fluxo.
Se existem oito etapas manuais, a solução não deveria necessariamente criar oito telas digitais.
Antes de desenvolver, vale perguntar:
Essa etapa ainda é necessária?
Essa informação já existe em outro lugar?
Essa validação pode ser automática?
Esses dois sistemas poderiam trocar dados?
Essa pessoa precisa participar sempre ou apenas nas exceções?
Um bom projeto de software não apenas transforma atividades manuais em telas.
Ele pode simplificar o próprio processo.
O sistema precisa acompanhar a evolução da empresa
Processos mudam.
Empresas crescem.
Regras evoluem.
Novos produtos aparecem.
Novos canais são criados.
Sistemas são contratados.
O ambiente tecnológico precisa acompanhar essa evolução.
Isso não significa trocar constantemente as ferramentas existentes.
Significa construir uma arquitetura em que elas possam evoluir e se conectar.
Em alguns momentos, isso será feito por uma integração.
Em outros, por automação.
Em outros, por uma personalização.
E existem situações em que um sistema sob medida será a alternativa mais adequada.
Seu processo mudou. Seu sistema não.
Planilhas paralelas, controles manuais e informações duplicadas não aparecem sem motivo.
Frequentemente, são respostas criadas pelas próprias pessoas para preencher uma lacuna entre o processo real e o que os sistemas conseguem executar.
A solução não precisa começar com:
“Vamos trocar o ERP.”
Pode começar com uma pergunta muito mais simples:
“O que está faltando?”
Depois:
“Precisamos integrar, automatizar, personalizar ou desenvolver?”
Essa é a abordagem que utilizamos na Pixel8.
Entendemos o processo existente, identificamos as lacunas e avaliamos qual combinação de desenvolvimento, integração e automação faz sentido para aquela operação.
Porque software sob medida não precisa significar substituir tudo.
Pode significar desenvolver exatamente o que está faltando.
Seu processo depende de planilhas, controles paralelos ou atividades que o sistema atual não atende? Fale com a Pixel8.